A Stellantis vai se unir à Zeta Energy para criar uma alternativa mais barata, eficiente e sustentável às baterias de íons de lítio NMC (níquel, manganês e cobalto): as baterias de lítio-enxofre.
As baterias seguem como um dos maiores entraves dos carros elétricos atuais - não só pelo preço alto, mas também por uma soma de fatores que inclui questões ambientais, limitações técnicas e até impactos geopolíticos.
Por que lítio-enxofre?
As baterias de lítio-enxofre aparecem como uma forma de resolver ou, ao menos, reduzir boa parte desses problemas. A promessa é que elas possam ser ainda mais acessíveis do que as baterias LFP (fosfato de ferro-lítio) - que vêm ganhando cada vez mais espaço - e, ao mesmo tempo, oferecer densidade gravimétrica de energia (mais energia por peso) e densidade volumétrica de energia equivalente ou até superior às atuais baterias de íons de lítio NMC.
Em termos práticos, isso quer dizer que as baterias com enxofre conseguem entregar a mesma energia útil de uma bateria de íons de lítio, porém com menos peso. Esse ganho pode se traduzir em veículos elétricos com maior autonomia, mais leves (o que melhora a dinâmica e a eficiência) e com custos mais baixos.
“As baterias de lítio-enxofre podem chegar a custar menos da metade do preço por kWh, em comparação com as de iões de lítio”, afirma a Stellantis. Além disso, elas também prometem diminuir o tempo de recarga em até 50% e aumentar a sustentabilidade, já que o enxofre é um material amplamente disponível.
Há desvantagens?
Se as baterias de lítio-enxofre combinam maior densidade com menor custo, a pergunta natural é por que elas ainda não estão nos carros elétricos. A realidade é que ainda existem obstáculos importantes a superar.
Um deles é o ciclo de vida, que é menor do que o das baterias de íons de lítio. Também há desafios tecnológicos pendentes, como a estabilidade de cátodos à base de enxofre, a compatibilidade com eletrólitos e pontos ligados à segurança (formação de dendritos de lítio e degradação dos eletrólitos).
É nesse contexto que entra a parceria entre a Stellantis e a Zeta Energy, empresa especializada no desenvolvimento e na produção dessa tecnologia.
Produção
Segundo a Stellantis e a Zeta Energy, não seria necessário construir novas gigafábricas para fabricar baterias de lítio-enxofre: a produção poderia aproveitar as instalações já existentes, com uma cadeia de suprimentos curta e totalmente local, concentrada na Europa e na América do Norte.
Além do enxofre, “estas baterias são produzidas utilizando materiais residuais e metano, com emissões de CO2 (dióxido de carbono) significativamente menores do que qualquer tecnologia existente atualmente”.
“A nossa colaboração com a Zeta Energy é mais um passo no avanço da nossa estratégia de eletrificação. Nós trabalhamos para entregar veículos sustentáveis, seguros e acessíveis.”
Ned Curic, Engenheiro Chefe da Stellantis e Technology Officer
Para quando?
A cooperação entre a Stellantis e a Zeta Energy está organizada em duas fases: desenvolvimento, pré-produção e, depois, o planejamento para uma produção futura.
Ainda devem se passar alguns anos até que apareçam modelos elétricos da Stellantis usando essas baterias de lítio-enxofre: as duas empresas miram 2030 como prazo para começar a equipar veículos elétricos.
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